Protagonistas do aprendizado: o novo lugar das crianças na educação

Quando pensamos em Educação, provavelmente a primeira imagem que nos vem à cabeça é aquela imagem tradicional da professora, em pé diante a fileiras de alunos sentados, atentos a ela. Esta imagem reflete o modelo tradicional de educação que foi muito praticado, mas que (felizmente) têm sido cada vez menos frequente. Muitas instituições de ensino não adotam mais a prática de ter um professor como detentor do conhecimento, e alunos como receptores deste conhecimento. Mas como esta mudança tem acontecido? Quais serão os impactos desta mudança no futuro de nossas crianças?
Para respondermos a tais perguntas, temos que entender primeiramente o conceito de protagonismo. Sim, pois precisamos ter crianças que sejam protagonistas de seu processo de aprendizagem. Quando pensamos em protagonismo, pensamos em um papel principal, certo? Pois um aprendente que possui o papel principal de sua aprendizagem é o futuro cidadão, com capacidade de tomar decisões, de ser crítico e de debater suas idéias. É o futuro ser, autorresponsável, capaz de tomar as rédeas de sua própria vida. E acredite: isto começa em sala de aula.

Um novo olhar sobre a Educação

No mundo em que vivemos atualmente, os alunos possuem diversas formas de acesso a todo tipo de informação fora do contexto escolar. Esses alunos chegam à sala de aula munidos de informações, que por vezes não são levadas em consideração, por falta de preparo de algumas escolas, que se restringem ao modelo de transmissão de conteúdo. Essa postura limita a capacidade da criança de conectar suas experiências e vivências ao conteúdo escolar, e transformá-las em novos aprendizados.
Mas esta postura está se transformando. Um novo modelo de Educação considera as experiências pessoais da criança, contextualiza o conteúdo escolar e permite a troca de experiências vividas dentro e fora do contexto escolar. Já dizia o educador Paulo Freire: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção”. Com isso, temos o aluno como o detentor do papel principal, o protagonista da sua aprendizagem. Esta postura coloca o professor como mediador deste processo de ensino-aprendizagem, pois ele passa a planejar suas estratégias passando pelo centro de interesse das crianças. O professor passa a conduzir a aula conforma as idéias e o debate sobre o assunto vão fluindo.

A importância de protagonizar sua aprendizagem

Este processo precisa ser significativo para a criança. Como Psicopedagoga, o que mais encontro em meu caminho profissional são crianças que apresentam problemas escolares, e são acompanhadas por diversos profissionais que não conseguem identificar a fonte do problema, quando na verdade a criança apresentava um único problema: ela não possui o prazer de aprender. Aprender, para estas crianças, não é um processo significativo, pois não se conecta com suas experiências pessoais.
Isto é algo muito sério. Crianças são medicadas, quando na verdade só precisam passar a sentir prazer em aprender. A pedagogia hoje já reconhece a importância da aprendizagem significativa, que permite que a criança expresse a sua visão de mundo, conseguindo assim lidar com seus sentimentos.
Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI/2010), a criança é reconhecida como personagem central do planejamento curricular e entendida como sujeito social de direitos, que constrói sua identidade pessoal e coletiva através nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. Esse processo de construção de sentido da criança sobre o mundo físico e social ocorre por meio de diferentes experiências, quando brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona.
Por meio desta definição de criança, podemos entender a real importância das instituições de Educação Infantil, pois este é o primeiro espaço onde a criança vivencia trocas entre crianças de diferentes idades e com os adultos, possibilitando a elas ampliar e enriquecer suas vivências de mundo. A criança ocupa o lugar central nessas práticas. E por intermédio de tais práticas, irá atribuir sentido as suas experiências e por meio delas compreender o mundo e a si mesmo.

Gisele Wandermur

MSc em Ciências
Psicopedagoga Clínica e Institucional

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By | 2016-11-07T14:53:06+00:00 1 de novembro de 2016|Educação, Protagonismo Infantil|0 Comments